O perigo do “Rótulo”

Aposto que você já escutou alguém dizer: “aquela menina é tagarela”; “aquele menino é agressivo”; “impaciente”, “ansioso”, “chorão”, “irritado”…

Quero te propor pensar mais profundamente a respeito dessas “características” que colocamos no outro, acreditando que só estamos ressaltando a “característica” de maneira inocente e, sem perceber, estamos construindo uma bolha e enfiando-a dentro dela, sem dar-lhe condições de ser nada além “de tal característica”.

Pais e professores exercem opiniões de peso sobre a criança, temos o poder de “agregar valor”. Não sei se você já ouviu falar, mas, mais de 80% dos complexos de uma pessoa são desenvolvidos dentro de sua própria casa, sabia? Quando uma mãe “tenta ajudar” dizendo para a filha colocar “roupas mais larguinhas” para não marcar “por que está acima do peso”, por exemplo, sem perceber, está dando uma imensa contribuição para o desenvolvimento de um futuro complexo.

Então, quando dizemos para a criança:

“Você é muito chorão”;

“Você é muito nervisinho”;

“Você é muito tagarela”…

Fazemos com que a criança comece a acreditar e viver dentro daquela “realidade” que criamos para ela, fazendo cada vez mais com que os seus comportamentos confirmem o que estamos dizendo que ela é, por que, sem perceber, estamos reforçando aquilo.

Os comportamentos indicam o que está acontecendo por trás da cena apresentada, o nosso desafio é entender o que a criança está tentando comunicar com determinado comportamento. Ela está indicando uma necessidade.

Se arrancarmos a etiqueta que colocamos nela e nos dispormos a ir além, a criança percebe nossa mudança e tende a oferecer um novo repertório comportamental como resposta.

Outro cuidado que precisamos ter é com relação a “nossa expectativa” da criança agir “assim” ou “assado”, por que ela também percebe e faz de tudo para te dar aquilo que você está esperando, por mais que seja indesejado, é o que você espera, não é?

Tenha consciência de que o comportamento que você não gosta “irritação”, “choro”… provavelmente voltará a aparecer, a criança está viva, é criança, continua sentindo muitas coisas, pensando outras inúmeras coisas também… Mas, se você modificar sua postura, ela não será mais “somente a criança chorona”.

E não pense que os “rótulos positivos” não engessam também:

“Certinho”

“Quietinho”

“Comportado”

“Meiga”

Também aprisiona a criança sem dar-lhe possibilidades de explorar outras formas de “estar no mundo”. Presa em uma bolha ela não se permite outras possibilidades.

COMO MUDAR?

Uma maneira de desconstrução desse processo é: Volte “mentalmente” ao passado, lembre-se daquela época onde você não notava a repetição desse comportamento que fez com que você implantasse um rótulo nela, onde você não a tinha moldado ainda. Permita que esta criança volte a ser uma folha em branco para que você comece preencher novamente com mais possibilidades do que uma ÚNICA FORTE CARACTERÍSTICA.

Muitos Beijos!!!