7 ESTRATÉGIAS PARA SER OUVIDA PELO SEU FILHO

Estou sempre abordando assuntos sobre como disciplinar os filhos agindo positivamente tanto aqui no blog quanto lá no meu canal do Youtube. No final desse post, deixarei alguns links caso você tenha interesse em outros assuntos dentro da Disciplina Positiva.

Há quem critique o método da disciplina positiva e já andei até desmistificando-a em alguns vídeos do meu canal. O fato é que, quando agimos de maneira positiva com nossos filhos, dentre a educação propriamente dita, estamos oferecendo também exemplos de como lidar com situações adversas, agindo positivamente; sem violência, raiva ou ressentimento.

Encontrar estratégias para disciplinar nossos filhos oferecendo confiança e respeito por meio da comunicação ao invés de punições severas tem sido desafiador tanto na prática materna quanto profissional para mim. Desafio esse que agarro dia a dia com unhas e dentes e sempre que posso, trago ideias para facilitar o dia a dia de quem me acompanha.

QUE TIPO DE ESTRATÉGIA POSITIVA PODEMOS USAR PARA UMA CRIANÇA QUE NÃO NOS OUVE?

Se você estiver passando por esse tipo de dificuldade, leve em consideração:

REFLITA: POR QUE MEU FILHO NÃO ME ESCUTA?

Antes de qualquer coisa, é importante tentar entender a causa. Dentro da psicologia nós buscamos sempre o que está por trás do comportamento.

A IDADE DA CRIANÇA:

Dependendo a idade dela, realmente não terá condições de ouvir, interpretar e executar tudo o que é passado para ela. Precisamos levar em consideração a maturidade da criança para disciplina-la. Então, certifique-se de que o que você está pedindo esteja adequado ao nível de maturidade do seu pequeno. Leve em consideração que os acessos de raiva são esperados quando a criança não consegue expor tudo o que está pensando, querendo ou sentindo.

AS NECESSIDADES BÁSICAS DO SEU FILHO ESTÃO SENDO SUPRIDAS?

Não tenho dúvida de que você procura supri-las incansavelmente. Porém, dependendo do que esteja acontecendo, em determinado momento, a criança pode estar manifestando: fome, cansaço, sono, vontade de ir ao banheiro ou de trocar a fralda.

Uma das possíveis razões para que ele não te escute é cansaço, estresse, fome.

Não pense que é algo tão difícil estar no meio das suas tarefas diárias, a rotina gritando na sua consciência, você correndo para dar contar de tudo, acabar por esquecer de detalhes tão relevantes.

ESTÁ ACONTECENDO ALGO DIFERENTE NA VIDA DESSA CRIANÇA NO MOMENTO?

Seu filho te ouvia e de tempos para cá mudou o posicionamento? Observe se está acontecendo alguma outra particularidade com a vida dele. Por exemplo: dentes nascendo, mudança de postura relacionadas a faixa etária, etc.

Quando a criança é pequena, não consegue verbalizar suas dificuldades.

Já com os maiorezinhos, observe se estão passando por algum sofrimento na escola, familiar, mudanças importantes.

Na maioria das vezes, as crianças estão reagindo a situações nas quais estão com dificuldades de enfrentar.

É SOMENTE UMA FASE?

Já ouviu falar no Terrible Two? E na Adolescência? As vezes, a criança está somente testando os seus limites mesmo. Ela precisa se certificar de “até onde eu posso ir”. E acredite! Para eles chega a ser bem divertido verem o que podem fazer conosco.

Meu filho mais novo está com 3 anos de idade e fica tão nítido quando eu peço para ele não espalhar todos os brinquedos, ou guardar um grupo de brinquedos para pegar outros. Quando vejo, ele já espalhou tudo. No momento em que vou conversar com ele, percebo, nitidamente, a dificuldade dele segurar o sorriso. Ele começa conversar e sem querer ele vai soltando sorrisos (safados, rs). Típico e muito nítido de testes para saber “até onde eu falo sério” ou “até onde ele me dobra”.

Essas fases tendem a evoluir e até a passar, o mais importante é que você seja consistente e fale sempre a mesma linguagem para que num determinado momento a sua solicitação internalize.

VOCÊ ESTÁ SENDO RAZOÁVEL?

Uma das coisas mais fantásticas da Disciplina Positiva é o fato de colocar nós pais para uma importante reflexão: Não deixamos de sermos humanos por que somos pais, assim, tem momentos em que estamos errados SIM.

Em alguns momentos, reflita: “Estou exigindo demais?”

“É possível ser mais coerente?”

“Cabe negociação?”

“Isso realmente é importante para o meu filho ou estou somente disputando poder?”

Levar em consideração que possamos estar equivocados, rever nossas solicitações ou até mesmo nos desculparmos quando necessário pode ser riquíssimo para essa relação de confiança mútua e de exemplo de que todos nós cometemos erros e do quanto é importante admiti-los.

Mesmo após levar todos esses pontos em consideração.

COMO POSSO AJUDAR MEU FILHO A ME OUVIR?

1-) NÃO PERCA A PACIÊNCIA:

Eu entendo que em alguns momentos pode ser muito frustrante e desgastante não conseguir atingir nossos objetivos enquanto pai ou mãe, mas perder a paciência é a última coisa que ajudará tanto você como seu filho a evoluir nesse estágio.

Mantenha a calma. Se necessário, afaste-se da situação para recompor suas energias e retorne quando estiver mais tranquilo.

2-) COMUNIQUE-SE:

Procure conversar de maneira apropriada. Desça ao nível dele, olhe nos olhos. Esteja disposto a ouvir também, seja compreensivo.

Quanto mais calmo e tranquilo você estiver, mas fácil será essa comunicação e mais disposta a criança ficará para conversar com você.

3-) EVITE OS GATILHOS:

Conheça seu filho, saiba o que desencadeia os comportamentos a serem evitados, evite sempre que puder. Muitas vezes, pais confundem o fato de “não partirem para o confronto” por “deixar a criança fazer o que ela quer.

Pondere a situação, avalie a necessidade daquele embate, veja se ele pode ser evitado e não coloque seu filho nas situações as quais você tem o conhecimento de que ele não te ouvirá.

Exemplo: Gabriel quer sempre fazer a mamadeira dele. “Mamãe, posso ajudar?” Quando ajuda, derruba o leite fora da mamadeira, então é claro que eu prefiro quando ele “não ajuda” mas quando eu respondo “não precisa”, é um show do choro. Pensando em como não oferecer esse “não” precisa, eu peço que ele “mexa o leite” para mim. Eu coloco as colheres, ele mexe um pouquinho todo feliz. Eu agradeço, tiro a colher dele, termino de mexer e não temos o embate!

4-) USE A ABUSE DO REFORÇO POSITIVO:

Elogie muito os comportamentos que você admira e gosta no seu filho. Não economize esforços para isso. Se você soubesse o poder dessa ferramenta, passaria o dia pontuando as “coisas boas”. Acredite, você quase não precisaria corrigir o que não está bom de tanto que essa criança repetirá “o bom” para te agradar.

Quando você trabalha incansavelmente nesse fator, fica mais fácil cobrar aquele “algo além” deles, por que você será ouvido mais facilmente.

Utilize os “pedidos extras” do seu filho para fazê-lo entender que você também espera algo mais com relação aquela questão “X” que você está com dificuldade. Converse sobre esses assuntos quando está tudo bem, quando vocês estão se ouvindo de maneira positiva.

5-) “A REGRA É CLARA!”

Ótima frase para usar nos esportes né? Por que ela é de fato clara. Porém, muitas vezes, para nossos filhos, a regra não é tão clara assim.

Em casas onde cada hora recebe um comando diferente, uma hora pode fazer aquilo que outra hora não pode somente pelo humor dos pais estar melhor ou pior, fica difícil para a criança aceitar que “agora” ela não pode.

Deixe claro para seu filho o que você espera dele, mantenha expectativas realistas, de acordo com cada faixa etária. Retome constantemente essas regras e expectativas, relembre-o.

Certifique-se também de que eles tenham compreensão das consequências quando não seguirem as regras.

6-) TRABALHE EM EQUIPE:

Educar exige bastante esforço, esteja certo de que pai e mãe estão “jogando no mesmo time”. A linguagem precisa ser única, os filhos precisam de referências firmes para sentirem-se confiantes.

Alinhe sempre o discurso entre pai e mãe, isso é muito importante.

7-) SEJA CONSISTENTE:

Mantenha seu plano consistente. Não mude aos primeiros sinais de frustração. Siga em frente acreditando que irá funcionar. Uma série de coisas precisam se ajustar até que funcione de fato, inclusive a fase “teste” pela criança de que “você irá desistir sim”.

Quando combinarem uma consequência para determinada atitude, não deixe passar, cumpra cada combinado. Cada parte é importante para atingirmos uma mudança de hábito.

Demonstre sempre seu amor, mesmo nos momentos de adversidade. É muito importante que seu filho sinta-se amado e protegido.

Deixe-o saber que você o ama. Perdoe-o por não ter te ouvido e aproveite a oportunidade para motiva-lo a melhorar “da próxima vez”.

Lembrando sempre que o que funciona para uma família pode não funcionar para outra. Então, sempre reveja suas estratégia e aprimore de acordo com o conhecimento que você possui sobre seu filho.

Muitos Beijos!!!

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